Culto: compromisso com a vida.

O cristão que desde sua infância tem aprendido as necessidades de adorar a Deus em espirito e em verdade. Ainda hoje repete-se, que o fim supremo da existência humana é o louvor de Deus, para isso fomos criados.

Porém, a indagação é: o que é culto o que significa a luz da Bíblia cultuar a Deus?

Seria participar dos chamados atos litúrgicos, de rituais, série de gestos ou mesmo tradição recebida.

Há que suponha como culto o esforço para erigir altares erguer templos, construir capelas e o espaço onde o sagrado se manifesta.

Para outros é insubstituível, que no culto haja leituras, orações, hinos jejuns e devoções. Porém, não há dúvidas que o importante seria consagrar o tempo por meio de uma vida consagrada.

No entanto, não é difícil localizar pessoas que definem o culto como forma de obter benefícios vindo da parte do Divino.

Adotam também uma visão mais utilitarista, quando que esperam tirar vantagens imediatas do serviço a Deus como por exemplo, a prosperidade nos negócios.

Com efeito, as Escrituras de forma reiterada assinalam que o Senhor Eterno não se deixa manipular de modo algum, muito menos pela religiosidade suntuosa e exuberante que escandalosamente busca esconder o mal e a injustiça, separando culto e vida.

O que o Deus, de fato, não admite é o culto em contradição com o viver diário, é uma hipocrisia de quem lhe professa amor, devoção extrema que convive pacificamente com a opressão dos pobres e o desamparo de órfãos e viúvas; é a liturgia que funciona como espécie de licença para perpetuar o mal (Jr 7.9-10; Mq 3.11).

O autentico culto se expressa no serviço da caridade, no compromisso com o direito e a justiça, na luta pela paz, na compaixão com as pessoas desamparadas e excluídas, enfim, na vivencia do amor, da comunhão e da partilha.

O objetivo almejado não é instituir em lugar de culto, no sentido estrito da palavra, um conjunto de normas éticas cujo cumprimento deve ser observado com rigor.

O que se pretende é superar o dualismo que dissocia a celebração cúltica do compromisso de vida, do caminhar com Deus, do seguir a Cristo, do viver segundo o Espirito.

A expectativa em última instância, transformar todos os domínios da vida e todos os gestos e prol da vida um culto e adoração.

 

Celebrar também é viver

Um diferencial que se pode notar, em relação ao culto hebraico é que no seu processo de formação este culto celebrava a divindade de Deus, ofertava-se em gratidão pelas dádivas alcançadas e impetrava-se a benção da proteção, segurança e providencia.

Neste aspecto os hebreus viam o culto como um momento para celebrar aquele que é o criador de todas as coisas, e louvá-lo pelas graças recebidas.

Isaias um profeta do século VIII, capitulo 6. 1-8, descreve uma visão de culto celestial. Com isso a indicio que o mesmo deveria ocorrer no templo terrestre. Assim, aquele culto celeste deveria imprimir um modelo de culto na comunidade para celebrar a santidade de Deus.

Esse modelo de culto inspirou a Igreja a elaborar uma estrutura para o culto conforme o texto em questão. Dessa forma observa-se a seguinte liturgia de hoje:

Assim é possível observar que o culto não é algo que ocorre numa esfera atemporal, sem um contexto especifico. Ele está inserido em uma conjuntura maior, a saber, uma cultura da qual deve-se levar em conta os acontecimentos da vida do povo no cotidiano.

“… eu vi o Senhor assentado num alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo”.

O momento de contemplação, ou de sentir a presença de Deus e preparar-se para a celebração, é aludido no texto quando o profeta percebe que há uma mudança, quando Deus se deixa perceber por aqueles/as que o buscam. A presença do Senhor enche o templo, assim aqueles/as que se encontram no recinto devem ter um momento de introspecção para o que vem a seguir no culto.

Neste verso encontramos a questão da experiência com o transcendente, ou seja, o culto também ultrapassa os limites de um contexto específico, sem preferir o mesmo, a fim de que a comunidade tenha uma experiência mística com o Divino.

“As bases do limiar se moveram a voz dos que clamavam, e a casa se encheu de fumaça”.

No momento de adoração ainda há o fato de que quando Deus se manifesta vidas são transformadas. A fumaça indica a presença de Deus no culto, da mesma forma que Ele esteve presente por meio de uma coluna de fogo no deserto, Ele se faz presente quando a comunidade o adora “em espirito e em verdade”.

“Então disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.

A contrição e confissão são consequências da visão do ser perfeito revelado por diversas formas no culto. Ao defrontar-se com uma partícula da perfeição, o ser humano confessa sentir-se frágil e pecador no meio de pessoas que também o são. Por isso a confissão deve ocorrer individual e coletiva.

“E os serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz, com a brasa tocou os meios lábios, a tua iniquidade foi tirada e perdoado os teus pecados. É interessante que o pecador precisa se purificar para receber a palavra de Deus.

“Depois disto, ouvi a voz do Senhor que dizia: a quem enviarei, e quem há de ir por nós?”

Todo o processo ocorrido até agora, a contemplação, a adoração, o perdão dos pecados apontam para o momento em que o próprio Deus se manifesta através da sua palavra

“Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim”. A dedicação é a expressão máxima de que a palavra de Deus foi acolhida, entendida e aceita.

Há aqui uma indicação de que servos/as que se dedicam ao serviço, não devem circunscrever ao recinto cultual, mas sair a proclamar a mensagem libertadora em todos os aspectos da vida humana, pois a salvação é integral.

Observa-se, portanto, que no texto de Isaias há uma questão essencial para a comunidade que é a inteireza no serviço, na liturgia, o profeta tem todos os sentidos alterados quando percebe a presença de Deus no recinto. Isso demonstra que o culto deve perpassar e utilizar todos os sentidos, envolver os presentes com símbolos, cânticos, atitudes que façam os mesmos perceberem a presença de Deus.

Assim pode-se concluir que a Liturgia é o serviço dedicado a Deus em culto quando as pessoas se reúnem para adorar e louvar. Liturgia é composta por acontecimentos cúlticos que apontam para a adoração por aquilo que Deus é e gratidão, e louvor por aquilo que Ele faz.

Assim, é possível concluir que a Liturgia tanto para o A.T., como para o N.T. e também para a atualidade, deve sempre apontar a direção do serviço e amor ao próximo na execução de cultos que celebram a vida e a arte.

Na vivencia junto à comunidade; procuramos observar todo o cuidado quanto á preservar os ensinamentos encontrados nas Escrituras quanto ao serviço de culto, a preservação com o cuidado do menos favorecidos, das viúvas de nossa comunidade, a aplicação prática da Palavra. Sempre validando o compromisso com a vida, vinculando o culto a vida cotidiana.

Ainda procurando a desenvolver o verdadeiro significado de culto, ou seja adorar a Deus “em espirito e em verdade” sob todos os aspectos.

No culto que oferecemos a Deus procuramos sempre estar amparados nos ensinamentos tanto do A.T. quanto do N.T., um serviço de adoração observando todos os cuidados quanto a Santidade do Divino. Durante a Liturgia busca-se sempre sentir a presença do Senhor sob tudo quando Sua palavra é ministrada. Ainda, durante a celebração cúltica é direcionado para que todos os presentes sintam a manifestação e ofereçam um culto de adoração, confissão, perdão, edificação e dedicação.

Os textos apontam para cuidados que devemos observar, o verdadeiro significado de culto, como é o culto; ou seja, um culto que deve adorar a Deus por aquilo que é. Os efeitos de um verdadeiro culto oferecido em espirito e em verdade traz o alcance da graça de Deus.

E, também todo o cuidado com a Santidade do Altíssimo, uma celebração pela vida durante culto que deve conter momentos de proclamação pela paz, sacrifícios pela salvação, perdão e gratidão. A Preocupação pratica pelos menos favorecidos conforme ensinamentos.

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